Imprimir
III Congreso Internacional Historia a Debate Santiago de Compostela

IV Congreso Internacional Historia a Debate
Santiago de Compostela, 15-19 de diciembre de 2010

Dirección

 


 Ponencias aceptadas

Sección temática I. 1. Nuevas relaciones entre historiadores y fuentes

Autor:
José Geraldo Vinci de Moraes (Universidade de São Paulo, Brasil)

Titulo:
O historiador, o luthier e a música

Resumen:

Marc Bloch afirmou que o historiador deveria agir em seu ofício como um milimétrico “luthier (...) que guia-se, antes de tudo, pela sensibilidade dos sons e dos dedos”. A afirmação é muito interessante, de uma extraordinária atualidade e pode ser a indicação de um criativo caminho para a evolução de um campo de investigação historiográfica que tem a música e as sonoridades como objeto ou fonte documental. E não é simplesmente pela lembrança óbvia do luthier, artesão de instrumentos musicais.

A sugestão do historiador francês é claramente dirigida à linguagem escrita, mas é possível dar passo adiante e ampliar para os registros dos sons. Isto é, para os historiadores que têm interesse pela música e pelos sons não basta somente a linguagem escrita para compreender e traduzir o passado; ele tem que levar em conta as sonoridades inscritas nesse passado e sua escuta no presente, ação que na verdade está inscrita em toda operação historiográfica. Claro que, por diversos motivos, esta não é uma tarefa simples, já que na maioria das vezes esses sons são impossíveis de serem recuperados ou escutados pelo historiador. Como uma arte do tempo que desaparece no ato mesmo de sua execução, resta a ela registrar-se em primeiro lugar na memória, depois na linguagem e notação para não perder-se. Além das dificuldades de lidar com um objeto evanescente, com a tecnicidade da linguagem musical e as suas fontes, campos do conhecimento próximos da História assumiram durante décadas a tarefa de compreender a construção, funcionamento e a difusão da música nas sociedades. Esses fatos ­ e certamente outros relativos aos discursos historiográficos tradicionais - durante muito tempo determinaram a relativa “surdez dos historiadores” que, no entanto, parece estar em vias de cura desde o final do século XX.

Portanto, esse pode ser um momento excepcional para o historiador aprofundar a discussão em algumas direções. Em primeiro lugar, em torno das questões relacionadas às sutilezas e complexidades da hermenêutica da criação, performance e divulgação artística. Nesse campo, a atitude interdisciplinar torna-se imperiosa, senão iniludível, levando o historiador a recorrer à musicologia, língua e literatura, etnomusicologia, semiótica, história da música e assim por diante. A compreensão da ampla rede de sociabilidades (formas de sobrevivência, espaços de divulgação, performances, relação criador-intérprete, intérprete-ouvinte, etc.) do universo cultural da música que cria e alcança no tempo historicidades peculiares que precisam ser compreendidas e estudadas devidamente nas suas redes culturais e sociais, sob pena de perderem-se em generalidades ou em excessivas especificidades
técnicas. E as problemáticas metodológicas e práticas relacionadas à diversidade das fontes e documentação (manuscritos, partituras impressas, organologia, registros fonográficos, áudios-visuais, digitais, registros escritos indiretos, etc.) e a hermenêutica que implica cada uma delas