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III Congreso Internacional Historia a Debate Santiago de Compostela

IV Congreso Internacional Historia a Debate
Santiago de Compostela, 15-19 de diciembre de 2010

Dirección

 


 Ponencias aceptadas

 

Sección I. 3 Nuevo paradigma educativo

Autor

José João Lucas (Agrupamento de Escolas da Mealhada, Portugal)

Título

Para um novo paradigma do ensino da história para lá duma história nacional/nacionalista, uma história crítica de referência global

Resumen

Principalmente desde o século XIX ­ a época da construção sistemática do ideário das nacionalidades europeias, apoiando a consolidação, na Europa, dos modernos estados-nação ­ a instrução pública foi um campo que mereceu a maior atenção dos políticos e daqueles a quem competia aconselhá-los e executar as novas orientações. No que diz respeito à História ensinada na escola, tratava-se de criar e de disseminar um programa pedagógico que, reinterpretando o imaginário nacional, redescoberto e muito valorizado pelo pensamento romântico, contribuísse para formar as camadas jovens dentro dum paradigma de raiz nacional, apontando e realçando o papel de figuras e de contextos em que os valores patrióticos eram relevantes.

Daí que, na generalidade dos países europeus, o processo da extensão da escolaridade, sobretudo a partir dos inícios do século XX, tenha coincidido com a emergência e o reforço desse modelo de ensino da História, que seguia de perto os escritos e o pensamento dos grandes historiadores de referência. O importante era salientar os feitos heróicos dos antepassados, deixar na sombra episódios menos edificantes da sua conduta e integrar tudo numa narrativa de feição nacional, que, a partir da escola, ajudasse a criar nas populações uma ideia forte de que a nação, como um todo ­ mesmo que com fronteiras recentes, como era o caso da Itália e da Alemanha ­ tinha raízes profundas no confim dos tempos e era portadora dum projecto de futuro, para o qual se impunha mobilizar todos os cidadãos.

Esse modelo desenvolveu-se por todo o século XX com cambiantes diferenciados e, por vezes, antagónicos, consoante o suceder dos regimes políticos. Por isso, as batalhas, as guerras e outros conflitos internacionais ­ não só os ganhos, mas eventualmente também alguns perdidos, desde que com heroicidade ­ eram os pontos fortes desse programa pedagógico. Poderá interpretar-se que a utilização desse modelo até à exaustão ajudou a criar preconceitos xenófobos e até racistas, mesmo relativamente aos vizinhos do lado, cuja invasão vieram a justificar, como foi o caso do nazismo. Contudo, dum modo geral, para além dessas visões próprias, frequentemente contraditórias, de Histórias nacionais, as narrativas dos vários países europeus, sobretudo as chamadas potências coloniais, convergiam, no essencial, no tratamento do fenómeno do colonialismo e de todos os momentos e contextos do seu nascimento, desenvolvimento e queda ou redireccionamento.

Em meados do século XX, sobretudo no contexto dos debates realizados por ocasião da elaboração e aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do processo da independência dos países africanos, desenvolveu-se um debate intenso e apaixonado sobre os efeitos na actualidade deste processo longo e traumático do colonialismo e da escravização de milhões de cidadãos, sobretudo originários de África.Na viragem do século, a reflexão, a investigação e a tomada de posições sobre esta temática intensificaram-se, passando a ter o patrocínio de instituições internacionais como a ONU e a UNESCO, por iniciativa e/ou com a colaboração de alguns estados, cujas novas directrizes diplomáticas passaram a exigir uma nova contextualização do novo paradigma de relações interestatais, não já baseado nas dicotomias senhor-escravo ou civilizado-selvagem.

Como reconfigurar, num novo paradigma interpretativo, as novas orientações programáticas para o ensino da História em cada país, que, sem destruírem os valores e as tradições nacionais, antes redescobrindo neles novas energias, projectem a aprendizagem e a intervenção cívica para lá dos limites das suas fronteiras, conjugando as investigações mais recentes com um ideal de cidadania que não exclua o vizinho ou o anteriormente dominado, fundamentalmente baseado na Declaração Universal dos Direitos Humanos?