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Luís Reis Torgal

Mesa E

Luís Reis Torgal

Universidade de Coimbra e coordenador científico do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS 20).

O Poder da História. A História do Poder

1. Não é possível estudar história da história (numa perspectiva polissémica) sem nos apercebermos que a história constitui um "poder". Não me refiro apenas à história ideológica que procura fundamentar e justificar o poder político, mas também à "história científica" que, em certa perspectiva, é reveladora das concepções de sociedade e, assim, das concepções de poder, de contra-poder ou de não-poder.

2. Na verdade, no caso português, que melhor conhecemos, se a questão da Nação era um caso resolvido desde há muito, não deixa de transparecer no conceito da "História de Portugal" de Alexandre Herculano ou nas angústias da concepção de "decadência" de Oliveira Martins, ou no comemorativismo positivista que se estende a partir do "fim de século" e pelo século XX. O Estado Novo procura construir "uma história própria" e, por isso, não deixou de constituir a sua própria Academia. Criam-se histórias justificativas do regime, e do seu conceito de Pátria e de Império, assim como se criarão histórias justificativas do contra-poder, que se desenvolverão segundo uma concepção marxista, marxiana, ou pelo menos segundo uma concepção de "história social". E, quando os poderes se esbatem e são absorvidos pelas lutas ditas "democráticas", a história pode recolher-se no seu casulo de "história do quotidiano".

3. Esta realidade que não pode, contudo, ser avaliada mecanicamente e de modo simplista, tanto se verifica em Portugal como na Espanha, na Rússia (soviética ou não) como nos Estados Unidos… Por isso não é possível conhecer o desenvolvimento e as inflexões da história sem conhecer a história do poder ou a história da sociedade que gera situações de poder, de contra-poder e de não poder.