Historia Inmediata


Chávez


[Nota editorial: Os proponemos iniciar ya un debate específico y plurilingüe sobre Lula ante la importancia de la evolución brasileña desde el 1/1/03 para la Historia Inmediata de Venezuela, de América Latina y del mundo. C.B.]

Falo do Brasil, um país em festa pela posse do presidente Lula da Silva. Silva aqui é sinônimo de pobre, de trabalhador e de sofrimento. Falou da classe explorada tem sempre um Silva para representá-la. Trabalhadores, principalmente os mais pobres, sentem-se perto do poder ou parte dele. A esperança de mudar os destinos do país está em todos os corações e mentes. finalmente o sonho de mudança efetiva pode se efetuar. Será? Seria suficiente um Silva no poder para estabelecer a virada necessária e esperada por milhões.

Lula muito mais que um Silva é um representante legítimo destes. Nordestino, retirante, iletrado, metalúrgico, proletário. Lula é a marca da resistência e consistência.

A imprensa brasileira tem reservado grande espaço para o fato do operário qu chegou ao poder. Com todo sensacionalismo que lhe é peculiar, a imprensa mostra o feito de Lula e a vitória da classe trabalhadora. Todo dia, o dia todo, fala-se no operário, nas possibilidades, no ministério, no amadurecimento do projeto popular. Fala-se que Lula é o salvador. A imprensa faz questão de alimentar a fanatasia de transformação da sociedade através do governo de Luís Inácio.

Falo fantasia porque boa intenção e discurso não transformam nada. Apesar de discursar prevendo a transformação das desigualdades mantêm as alianças com os setores históricos que contribuem para o estado de coisa que hoje o país vive.

Não rompe com o FMI, não decreta moratórias das dívidas internas e externas, não busca uma coalizão com as forças populares organizadas, como MST e CUT. Fica fazendo reuniões com as cúpulas e não tem ouvido nem as vozes contrárias dentro do próprio PT.

A Ala radical/esquerda do PT está isolada, sem vez, sem voz. José Dirceu - homem de confiança do novo governo - lembra aquela figura do Golbery na ditadura militar. Quem se rebela dentro do partido sofre ataques, calúnias e ameaça de explusão. A valorosa senadora Heloísa Helena que o diga!

Até agora, o que Lula fez foi confirmar o discurso eleitoral de conciliação nacional, de respeito aos contratos, de manutenção da política neoliberal que domina, mata e aniquila os trabalhadores daqui e alhures.

A festa dura pouco. Mas a festa parece bastar.

E à festa o companheiro Hugo Chavez veio pedir ajuda e mostrar, ao lado de Fidel Castro, a possibilidade de formação de um outro eixo. Que é necessário enfrentar o neoliberalismo, não ainda como rompimento do capitalismo, mas como acúmulo de forças.

Temos simpatia clara pelo presidente Chavez. Acreditamos que é necessário fortalecer seu governo e derrotar a greve geral petroleira que tenta desestabilizar um governo com claros enfoques populares.
Mas reafirmamos a necessidade dos trabalhadores se organizarem na luta contra qualquer tipo de exploração, na defesa da vida digna e pela emancipação humana.

O governo Lula ou o governo Chavez ou qualquer outro governo nos moldes da representação burguesa é incapaz de atender as reais necessidades do povo. Só uma organização direta dos trabalhadorers pode inverter a ordem representativa e fazer valer a democracia direta.

Em um tempo de morte de paradigmas precisamos reinventar a utopia do socialismo. Não o soviético, nem o chinês, nem o cubano. Mas um socialismo a construir com o nosso tempo, com as nossas mãos.
 
Jean Mac Cole Tavares Santos
UECE/SEDUC
maccolle@hotmail.com