Historia Inmediata


Lula


Olá, a todos,

Primeiramente gostaria de me apresentar. Sou Carlos Batista. 40 anos. Graduado em História (Bacharelado e Licenciatura), além de ter duas especializações na área de Educação. Desde 2002 estou ensinando a noite em sala de aula. Também sou petroleiro (trabalho na Estatal Brasileira de Petróleo faz 16 anos). Milito em organizações anarquistas desde 1982.

Sempre admirei a História Recente (e imediata, juntamente). Minhas monografias, tanto de Graduação quanto de Especializações se referiam a História Recente.

Achei muito interessante a proposta sobre um debate acerca da eleição de Lula.

Estava lendo a poucos minutos acerca da proposta de Lula sobre um grupo de amigos da Venezuela. E resolvi entrar nesta discussão.

Não sei a que grupo pertence Jean Luc Tavares Santos, ou a que tendência dentro do espectro da esquerda, mas desejo colocar-lhe algumas informações e posicionamentos meus.

Podemos assistir ao filme/documentário de Renato Tapajós, Linha de Montagem, sobre as greves de 79 e 80, em São Bernardo, para entendermos um pouco mais de Lula. Lula nunca pareceu a mim e a maioria do movimento anarquista como um leninista, ou qualquer tipo de marxista. Lula foi sempre um grande negociador. Às vezes até bem pelego. Sua defesa pelo Socialismo com Liberdade sempre foi a defesa da maioria da CUT. Uma defesa eminentemente pequeno-burguesa (me apropriando da nomenclatura marxista). Outras fontes podem aclarar esta opinião. O antigo jornal "Em Tempo" e os Relatórios dos últimos Congressos da CUT são algumas delas. Lula e o grupo que se arrodeou dele (Dirceu, Gushkin, etc) conseguiram chegar ao poder devido ao poder de negociação que têm. Quer dizer, o poder de aceitarem o que a "opinião pública" quer que eles queiram.

Não me pareceu ser uma traição Lula colocar um banqueiro no Banco Central. Um dos dogmas do Pensamento Único (Le Mounde Diplomatique) hoje é a independência dos Bancos Centrais. E um governo de negociadores tem que estar ciente disso. Um governo que deseja governar, portanto exige governabilidade, portanto exige negociação. E marketing. E ai vem o programão contra a Fome, o veto aos caças da Força Aérea, etc.

Fiquei chocado com a lágrima de Heloísa Helena, lhe correndo o rosto, e pego em zoom pelo experto camera-man (aquilo é que é exemplo de História Imediata !!!). Não havia ficado tão chocado, assistindo TV, desde a morte de Odete Roitman.

Lula vem conseguindo enervar até mesmo George Bush com sua negociações com os novos e velhos presidentes da América do Sul. Não creio que vá haver necessidade de "derrotar" os grevistas petroleiros venezuelanos, mesmo porque isso seria como se apoiássemos a vitória de FHC (popularíssimo na época) sobre os petroleiros brasileiros em 1995. E espero que Lula e os amigos da Venezuela possam sugerir uma saída pacífica para aquele país. E creio que G.B. sabe que nisso Lula lhe supera. Não precisa de mísseis, nem milhões para negociar. Apenas de oratória e fé.

Lula pode não ser marxista, nem muito menos anarquista. Foi pelego muitas vezes na sua vida sindical. Mas acredito mesmo, que ele tem fé em que pode diminuir as agruras por que passa a maioria do povo brasileiro. E essa mesma fé ele passa ao outros presidentes sul-americanos.

Não estamos em nenhuma Era de Aquário, mas me parece que as coisas aqui pela Ámérica do Sul podem começar a mudar. E espero que sem violência. Diminuir a corrupção, melhorar a distribuição de renda, dar educação livre de dogmas para todos, contribuir para que todos tenham 3 refeições ao dia... não é necessário qualquer Revolução Sangrenta e Totalitária para que isso aconteça. Onde contribuiremos para tudo isso ir se tornando realidade ? Cada um que aja da melhor maneira que lhe convir.

E a partir daí, cotidianamente, todos poderão ir decidindo juntos para que lado pretendem ir.

Por enquanto é só.

um abraço,

Carlos Batista
Licenciado en Història, mestre e petroleiro