Debates


Negacionismo


Prezados,
 
Para que se informem estou lhes enviando o posicionamento de um Professor espanhol sobre o Negacionismo.
 
Gostaria de esclarecer que, nem sempre estou de acordo, ou plenamente de acordo com o que envio, que precipuamente tem a função de informar e possibilitar a outros a mesma reflexão. Que cada um possa tirar suas conclusões, ainda que provisoriamente. Leiam o que o Professor Luis Gargallo Vaamonde dia abaixo e que se encontra no seu posicionamento:
 
"Los estudios históricos deben estudiar todo el pasado del hombre para lograr un mayor conocimiento del mismo. Por tanto la investigación histórica debe ser libre, para refutar sus conclusiones ya están los demás expertos que pueden estudiar el tema, a fin de cuentas, la investigación no implica la muerte de nadie ni tiene por qué tener resultados prácticos en la vida de nadie. Las hipótesis sólo son guías de trabajo, pueden cambiar (y, de hecho, suelen hacerlo) o resultar falsas; la tarea del historiador es investigar todo aquello que pueda probar (o refutar) sus hipótesis".
 
Não concordo que aos estudos históricos cobe o passado, posicionamento infinitas vezes repetido e que não consegue capturar a dimensão processual da história. Esta dimensãofaz com que esse passado não esteja morto e traga conseqüência para o presente. Mas ele tem razão quando diz que o historiador deve ser livre pára utilizar, eleaborar as hipóteses que julgue necessária, muito embora ele não tenha razão quando diz que "a investigação não implica a morte de ninguém".
 
Não existe conhecimento histórico neutro politicamente porque a política é a história concentrada. Ou seja: no mesmo argumento de um historiador, às vezes encontramos posições corretas e outras nem tanto. A história pode (e é) usada para pregar ao mesmo tempo que não houve tantas morte de judeus como querem seus decendentes e pode tranformar estas mesmas mortes que existiram num leitmotiv da vitimação eterna que faz esquecer que os primeiros compradores de armas da produção alemã sob Hitler foram os "sionistas" da extrema direita quando começaram a comprar terras, ainda nos anos 30, nas regiões hoje interminavelmente conflituosas. A vitimação é usada como recurso eterno de grupos políticos e das camadas dominantes das classes dominantes - não do judeu pobre que foram as verdadeiras vítimas nos guetos e nas câmaras de gás - para justificar suas políticas atuais e seus interesses no mundo. O capital financeiro "judeu", sem razões de raça, fechou os olhos até o último momento, ao extermínio que se anunciava. "Acreditou", como fez também Stálin, que eles jamais seriam atingidos.
 
Este posicionamento do Professor Luis Gargallo Vaamonde da Universidad de Castilla la Mancha me parece portanto, parcialmente correto, muito embora, creio que é também necessário - em conseqüência do que afirmei antes - distinguir vários "sionismos". Aquele que Walter Benjamin simpatizou, por exemplo, não pode ser igualado ao de Ben Gurion ou ao de Golda Meyer. O sionismo, tal qual aparece no final do século XIX, tem uma nítida aspiração socialista e internacionalista, nada comparável à sanha do capital financeiro sem pátria, de ontem e de hoje. Ou seja: não dá para pensar o problema judáico destituido da categoria de classes sociais. Se o povo judeu sofreu o holocausto, uma franção capitalista importante desse povo, tem responsabilidades com esse mesmo holocausto. Não dá para pensar tal fenômeno como encerrado no passado.
 
Ou será que estou falando bobagem? Minhas hipóteses estão erradas?
 
Grande e fraternal abraço,
 
Jorge Nóvoa
Universidade Federal da Bahia