Debates


Nuevo Paradigma Educativo


Quanto às problemáticas enunciadas para reflexão neste debate, numa primeira e sintética abordagem, defenderia o seguinte:
 
1. Em sociedades democráticas, o compromisso social dos professores de História deve ser no sentido, quer da produção e divulgação de conhecimento o mais objectivante e utilizável possível, quer do cumprimento de regras deontológicas ligadas à investigação e à docência.
 
2, 3 e 5. As soluções didácticas e as TIC a adoptar pelos professores de História deverão ser aquelas que melhor servirem os objectivos do ensino da História: ajudar a conhecer a história das sociedades humanas, ajudar a conhecer os bastidores da produção e da divulgação do conhecimento historiográfico, ajudar a aprender a utilizar os conhecimentos assim adquiridos e as competências assim desenvolvidos na vida pessoal, profissional e cívica de cada indivíduo.
 
4. Em sociedades democráticas, a relação dos professores de História com a "educación en valores" deveria ser muito limitada e cuidadosa. Aos professores deveria caber dar o exemplo como profissionais e cidadãos + ajudar os estudantes a conhecer tão objectivantemente quanto possível a realidade. Cada indivíduo deverá, depois, dentro e fora da escola, retirar as suas próprias conclusões e agir em conformidade.
 
6. Não pode haver ensino da História que tenha objectivos desalienantes e que vise o aprofundamento da democracia/a consolidação de estratégias de desenvolvimento sustentável que não resulte de um diálogo permanente e estruturante com a investigação historiográfica.
 
7. Também a investigação em didáctica da História é fundamental para um bom ensino da História, mas não me parece correcto esquecer que os objectivos fundamentais da didáctica da História são: permitir um relacionamento tão objectivante quanto possível dos estudantes com o conhecimento historiográfico; facilitar o desenvolvimento de competências de rentabilização pessoal, profissional e cívica desse mesmo conhecimento.
 
Será, assim, relevante debater e intervir, também, através de Associações de Professores de História, instituições de ensino superior, movimentos cívicos, etc., em áreas como o peso da historiografia nos currículos, a formação inicial e contínua de professores, os métodos de avaliação dos estudantes e dos docentes/dos sistemas de ensino.
 
João Paulo Avelãs Nunes
(Departamento de História, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; Centro de Estudos Interdisciplinares do sºeculo XX da UC)