Debates


Historia y sociología


Queridos colegas Carlos Barros e Isarael Sanmartin,

Buenos dias a todos los colegas y amigos de HaD!

Por favor gostaria que fosse divulgada minha contribuição sobre a discussão sobre as relaçoes entre a história e a sociologia.
Me perdoem a impertinência, se este for o caso, mas me parece muito aborrecido discutirmos e-mails sem fim sobre correção ortográfica ou não. Precisamos todos da linguística, mas nunca seremos linguistas. Alguns dos meus amigos franceses ainda hoje se aborrecem quando lhes mostro os erros de francês que Proust cometeu ao escrever A la recherche du temps perdu! Aqui no Brasil que é um imenso continente é, foi e será impossível, sob as condições de existência de um capitalismo que cada vez mais corta gastos com a educação em todos os níveis, fazer com que os profissionais falem e escrevam corretamente a língua de Camões. Tudo bem: é necessário algum rigor. Mas não façamos disto um fetiche!

Depois de muito tempo sem intervir no nosso debate - que também é dos outros - gostaria de chamar suas atenções para algo que antes de ser da ciência, me parece ser também do bom senso, no que concerne as relações entre a história e a sociologia, e as demais disciplinas cientísficas.

A reflexão é a do bom senso também. A história é uma totalidade. Mas nós, inclusive porque não vivemos mais que 120 anos, somos uma parcialidade, e portanto, uma relatividade. Por conseguinte, o mais que podemos aspirar é sermos totalizantes na perspectiva. Assim, quando Marx disse o que disse - de conhecer uma única ciência, a ciência da história, quis, ao mesmo tempo, enfatizar a totalidade dos processos históricos e relativizar a inevitável divisão social do trabalho entre as nossas disciplinas e, portanto as suas naturezas científicas de alcances relativos.

Não vejo como os sociólogos possam estudar outra coisas senão a história, a vida. Sim, o fazem como se fossem economistas, reduzindo os processos sociais às suas categorias mais lógicas e eliminando suas riquíssimas mediações. Isto deu a ilusão aos diversos sociólogos de serem mais "cientistas" que os historiadores, porque pareciam desembocar sempre numa "teoria" geral e que, realmente, esta era a finalidade de seu labor. Em compensação, os historiadores se acreditaram mais científicos porque colhiam com suas narrativas mais "fatos", quer dizer, mais elementos da historicidade, o que lhes faziam, no entanto, perder de vista o movimento de totalização que só é possível através da teoria. Mas se só é possível contruir uma teoria se eliminarmos muitas categorias "menores" dos processos históricos sociais, só é possível à esta mesma teoria ser científica se não perder o contato, jamais com co concreto-real.

Ao admitirmos isto só temos uma saída ao "xeque mate": considerarmos a inevitável interpenetração das partes no todo e, portanto, a sua “transparcialidade” ou o que me parece melhor, a sua “transdisciplinaridade”. O objeto do sociólogo, do antropólogo, do economista, do etnólogo, do arqueólogo, e mesmo o do físico e do químico, é a história, assim como o dos historiadores. Porque como dizia Prigogine não é possível eliminar a historicidade mesmo do universo. Uma estrela é como um ovo frito: depois de explodir jamais voltará ao seu estado original. É por isto que o homem não entra duas vezes no mesmo rio! Mas nem por isto jogaremos fora "crianças com a água suja do banho". Entraremos no rio duas ou tres vezes pelo menos, como historadores, sociólogos, economistas e etc., mas sem complexos, nem fetiches, por favor!

Lhes envio um grande abraço desde Bahia.

Jorge Nóvoa
Universidade Federal da Bahia
Editor da Revista O Olho da História www.oolhodahistoria.ufba.br
Coordenador da Oficina Cinema-História
Currículo: http://lattes.cnpq.br/5518432165910556