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Fernando Esteban do Valle

 

Fernando Esteban do Valle

Rede Municipal de Niteroi, Brasil

HISTORIA A DEBATE

"ESTÁ OBSOLETA A DIVISIóN EN ÁREAS

CRONOLóXICAS?"

A divisão da História em áreas cronológicas é um tema bastante amplo e importante que nos cabe hoje cuidar. Sendo o tempo uma das categorias essenciais para a pesquisa e ensino de História - "o local de sua Inteligibilidade", nas palavras de Marc Bloch -, é fundamental que discutamos a respeito de suas dimensões, e mais, sobre as implicações que nossa concepção de tempo em nossa prática historiográfica.

A primeira observação a ser feita é a respeito das dimensões temporais. 0 tempo do historiador (e qualquer cientista social) pode ser como histórico e cronológico, sendo essas dimensões interligadas.

Dito isso podemos entrar diretamente no assunto que nos traz aqui hoje: a divisão da História em áreas cronológicas. Ao perceber as mudanças ocorridas no conceito tempo durante este século, vamos perceber que o uso de um tempo homogêneo e externo aos acontecimentos foi se tomando, explicitamente, um mero recurso de localização. Isso nos leva ao fato de que os acontecimentos breves foram perdendo força diante do alargamento das durações temporais. Parece que foi Fernand Braudel que deu uma contribuição mais direta neste ponto, ao chamar a atenção para os diferentes níveis e ritmos de duração. Essa nova perspectiva abriu espaço para uma nova maneira de enxergar o tempo que não baseia-se na aristotélica maneira de dividir o tempo em presente, passado e futuro. Com isso, os limites entre uma época e outra, foram se tomando menos rígidos, aparecendo a possibilidade da investigação de determinadas totalidades históricas, extrapolarem as barreiras cronológicas adotadas anteriormente. Outro ponto fundamental é que divisão cronológica atual é uma criação ocidental, que leva em consideração apenas os fenômenos que tenham importância para a história européia. Por isso a divisão cronológica atual está sendo reconsiderada, deixando de ser um limite para o trabalho do historiador: ela serve-lhe apenas como um parâmetro de localização. Cabe ao pesquisador buscar os limites mais convenientes para dar coerência à sua pesquisa. Não considero, no entanto, que a divisão em áreas cronológicas esteja obsoleta, pois dentro de uma visão abrangente de época histórica, essa divisão não amarra nosso trabalho. Mesmo que abandonemos essa divisão atual, considerando-a obsoleta, acabaremos por adotar outra divisão cronológica, segundo os processos históricos estudamos. Essa divisão serve, ou deveria nos servir, para a caracterização e análise das temporalidades formadas pelos nossos objetos de pesquisa.

Poderíamos concluir então, que mesmo que a divisão atual esteja obsoleta, isso não quer dizer que vamos abandonar toda e qualquer divisão em áreas cronológicas, pois como nos ensinou Femand Braudel: "Todo trabalho histórico decompõe o tempo passado". A divisão do tempo - cronológico e histórico bem como sua Investigação, é, portanto, inerente à prática do historiador. Sendo assim, não parece que abandonar simplesmente a divisão cronológica seja uma condição sine qua non para o desenvolvimento do conhecimento histórico.